Às vezes nos sentimos tão confusos, paradoxais, sem perspectivas, mas ao mesmo tempo querendo abraçar o mundo mesmo estando de braços atados.Atados em nossos medos ,em nossas frustrações,nossa pequenez.Sabemos que no âmago há um gigante de potencial a ponto de se libertar,mas que se torna uma criança indefesa ao deparar com uma realidade muitas vezes fantasiosa ,que existe só nos limites que nós mesmos impomos.
Uma vez me disseram que “crescer é fazer escolhas”, e como é difícil crescer... Olhar para trás e observar os erros que nem sempre tiveram um aprendizado eficaz, olhar as alegrias e torcer para que o fechar dos olhos te leve de volta para aqueles agradáveis momentos, mas ao abrir saber que tudo passou, que foi importante ter vivido,sentido cada emoção,vertido cada lágrima e ter se divertido com coisas minúsculas e às vezes insanas.Mas,por um lado é bom notar que tivemos a oportunidade de desfrutar de tanta coisa,de ter não só conhecido ,mas vivido pessoas na plenitude da intensidade de cada uma,é bom ver que não só passamos pela vida,mas marcamos e fomos marcados por ela.
É mais gratificante ainda analisar que algumas marcas nos serão eternas, que apesar de novos rumos, de novos ambientes e por que não novas “marcas”, algumas simplesmente não deixarão de existir com o tempo, pois já se tornaram partes indissociáveis do que nos tornamos.
Agora, ao caminhar duas décadas por essa estrada que é a vida posso dizer que tracei novos caminhos, cruzei com alguns que me fizeram crer que valia a pena continuar caminhando e me incentivavam a olhar para frente por mais que os obstáculos teimassem em volver meus olhos para o chão, cruzei com outros que gostaria não ter cruzado, mas hoje vejo que se sou o que sou foi por que um dia alguém me fez ver que a minha opinião não era a única, mas que havia coisas e pessoas diferentes de mim e pude aprender com elas.
Não sou mais tão inocente como uma criança, apesar de resguardar uma infantilidade que espero nunca perder, mas também não sou tão madura a ponto de dizer que entendo a complexidade da vida.Nesse meio tempo vou andando ,caminhando e fazendo escolhas. Escolhas que resolvi colocar nas mãos de alguém que entende muito mais da vida do que eu, que entende minhas fragilidades e enxerga no florescer de uma mulher a menina dos seus olhos.
NELE eu encontro refúgio constante, sabendo que ELE sempre foi a ostra que em vez de fazer do meu incomodo pecado algo ruim, preferiu me moldar a cada dia na esperança que aconteça o que ninguém acreditara,ou seja,que no lugar de uma impureza surja uma resplandecente e pura pérola.Afinal, ELE enxerga em mim mais do que os olhos humanos conseguem ver.Entretanto, enquanto esse dia não chega continuo a ser acarinhada pela disciplina do Pai e protegida pela carapaça da sua justiça.
Hoje faço uma reflexão sobre a minha existência e noto que a decisão mais importante que tomei não necessitou de 60, 70, ou 80 anos para acontecer, mas que se concretizou nas duas primeiras décadas da minha juventude. E quantos caminhos poderia ter traçado... Mas, a minha frente foi desenhado, os meus olhos foram destampados e os meus pés foram direcionados a traçar esse caminho.
Alguns talvez não me entendam, achem radicalismo, mas isso que digo a vocês não consiste em religião, consiste em amor. Descobri que nada sou sem amor, que não teria sentido viver se não amasse e fosse amada, e por tempos tive uma busca incessante por um amor cálido e verdadeiro, que só pude obter quando encontrei a DEUS e por isso decidi, para sempre a minha grande ambição é CONTINUAR A AMAR...
quinta-feira, 9 de abril de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Ainda uma vez_Adeus!
O poema é longo,mas bem expressivo.Espero q leiam até o fim,pois é um dos poemas que mais amo de Gonçalves Dias,bem representativo desse momento atual!
IEnfim te vejo! — enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei!
Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!
II
Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentosNas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!
III
Louco, aflito, a saciar-meD'agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esp'rança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!
IV
Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;
Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quanto hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.
V
Mas que tens? Não me conheces?
De mim afastas teu rosto?
Pois tanto pôde o desgostoTransformar o rosto meu?
Sei a aflição quanto pode,Sei quanto ela desfigura,
E eu não vivi na ventura...Olha-me bem, que sou eu!
VI
Nenhuma voz me diriges!... Julgas-te acaso ofendida?
Deste-me amor, e a vida
Que me darias — bem sei;
Mas lembrem-te aqueles feros
Corações, que se meteram
Entre nós; e se venceram,
Mal sabes quanto lutei!
VII
Oh! se lutei! . . . mas deveraExpor-te em pública praça,
Como um alvo à populaça,
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso
Tal sacrifício aceitar-te
Para no cabo pagar-te,
Meus dias unindo aos teus?
VIII
Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t'esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias
T'esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!
IX
Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!
X
Tudo, tudo; e na miséria
Dum martírio prolongado,
Lento, cruel, disfarçado,
Que eu nem a ti confiei;
"Ela é feliz (me dizia)"
Seu descanso é obra minha.
"Negou-me a sorte mesquinha. . .
Perdoa, que me enganei!
XI
Tantos encantos me tinham,
Tanta ilusão me afagava
De noite, quando acordava,
De dia em sonhos talvez!
Tudo isso agora onde pára?
Onde a ilusão dos meus sonhos?
Tantos projetos risonhos,
Tudo esse engano desfez!
XII
Enganei-me!... — Horrendo caos
Nessas palavras se encerra,
Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!
Amarga irrisão! reflete:
Quando eu gozar-te pudera,
Mártir quis ser, cuidei qu'era...
E um louco fui, nada mais!
XIII
Louco, julguei adornar-
Com palmas d'alta virtude!
Que tinha eu bronco e rude
Co que se chama ideal?
O meu eras tu, não outro;
Stava em deixar minha vida
Correr por ti conduzida,
Pura, na ausência do mal.
XIV
Pensar eu que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,
Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que a tua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera...
E eu! eu fui que a não quis!
XV
És doutro agora, e pr'a sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus!
Dói-te de mim, pois me encontras
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!
XVI
Dói-te de mim, que t'imploro
Perdão, a teus pés curvado;
Perdão!... de não ter ousadoViver contente e feliz!
Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!
XVII
Adeus qu'eu parto, senhora;
Negou-me o fado
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida,
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve Adeus!
Lerás porém algum dia
Meus versos d'alma arrancados,
D'amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; — e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade
Que chores, não de saudade,Nem de amor, — de compaixão.
domingo, 1 de março de 2009
Retiro Espiritual 2009
Esse feriado de carnaval foi bem importante para mim,fui para o retiro da igreja,me fez refletir sobre coisas muitas vezes consideradas ínfimas e ignoradas pelas nossas vidas mecanizadas.
Sabe,acho que passamos a vida desaprendendo a ser feliz,esquecemos que os outros têm coisas a oferecer e que o mais importante que deles podemos absorver não é tão concreto ao ponto de podermos tocar ,mas também não é tão abstrato ao ponto de não podermos sentir.
Passamos a desacreditar nas pequenas coisas caracterizado-as como perda de tempo ou infantilidades ,mas eis aí o pote de ouro no fim do arco íris,ninguém disse que não seria algo simples,e que nem por isso deixaria de ser reluzente.Talvez isso acontece para que depois de uma cansativa caminhada sejamos surpreendidos,ao saber que o ouro sempre esteve aos caquinhos ao nosso redor,mas foi preciso ter o anseio de vê-lo para que nós pudéssemos enxergá-lo.
Nesse feriado eu pude ver o ouro,eu pude descobrir coisas e pessoas na simplicidade de seus atos,de suas palavras e muitas vezes de um simples olhar.Aprendi a me despir de estereótipos ,de não julgar o livro pela capa ,como diz aquele ditado popular, afinal não devemos definir a capacidade dos outros,pois definir algo é limitar e descobri que podemos ser ilimitáveis se nossa fonte for a que jorra os mais brandos sentimentos que irão perpassar a eternidade.
Entendi que para fazer amigos basta está disposto a ser um amigo,que a amizade pode beirar o parentesco,afinal sabiamente foi dito: "há amigos mais chegados que irmãos”.Também entendi que pra falar de amor não é necessário fazer uma única associação de dois,mas que podemos associar muitos resumidos nesta única palavra,afinal o amor também é fraterno.
Às vezes tentamos riscar de nossas mentes determinadas lembranças e nos condicionar a agir de determinada forma,pois achamos ser isso o melhor,mas nem sempre todo o corpo acata a racionalidade do cérebro,nessas horas nos sentimos meio impotentes aos nosso próprio querer,o que fazer?
Bom,queria eu ter resposta para tudo,mas acho que é exatamente pelo fato de não sabermos tudo que as coisas se tornam melhores mesmo sem notarmos,pois aí vemos o quão frágeis e dependentes somos de uma sabedoria maior,que por enquanto pode até não emitir sonoramente todas as respostas,mas que faz do silêncio um sussurrar confortador aos nossos corações,essa voz é de DEUS!
Também me entristeci comigo mesma,me vi diante das minhas fraquezas e às vezes perdi a batalha,mas isso ocorreu por que pleiteei só por uma batalha que não era unicamente minha,acariciei meu ego e esqueci que aqui só vivo por DEUS,mas como disse uma sábia amiga: “deixo o passado para trás”,e espero não mais cair nas armadilhas do meu eu .
Por fim,a lição mais preciosa que tive foi aprender a notar o detalhismo de um DEUS perfeito,que delineia gestos,paisagens,sentimentos e o caráter de cada ser ,não de forma homogenia ,mas individual,pois DEUS se preocupa conosco de forma pessoal,Ele não quer nos dar uma alegria parcial,mas sim integral.Isso pode ocorrer só se nos permitirmos sermos comovidos pelo dedilhar de seu toque ao moldar de nosso caráter,às vezes pode ser difícil,pode ser incomodo,mas nada é melhor do que saber que você está sendo envolto pelas mãos do mais fabuloso oleiro,aquele que é perseverante em fazer dos seus vasos cópias exemplares do vaso mestre,que tenta quantas vezes for preciso,para fazer deles um espelho e juntar todos os cacos que sobraram quando dantes não os trataram com o devido zelo,ele pode te moldar,só precisa da sua permissão!
Postado por Juliana Lima às 03:30 0 comentários
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